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O Verme

Sensibilidade crítica e analítica, despreza olhares alheios e repudia-os com vigor. Virtude, entretanto, age como um ato violento, é como espinho de uma rosa, embora machuque-nos não paramos de contemplar a beleza de sua flor e todos os seus predicados. Entre eles a sensibilidade que vos digo, és tua digníssima virtude. Sinto-me envolto pelo ódio, o meu sangue logo transmuta-se de maneira obscura, minha sombra projetada logo se circunda por todo quarto. Sinto-me recluso por toda essa escuridão que traz um frio tenebroso, capaz de aniquilar qualquer manifestação de vida, tudo isso numa relação de simbiose entre nós. Únicos em meu vazio ela encontra um mar para poder navegar livremente, é como se eu abrisse as portas para deixar todos meus sentimentos mais viciosos, desmoralizados e corrompidos estabelecerem sua própria afirmação. Torno-me um verme, apenas um mero veículo de locomoção dominado pelas sombras, minha clemência é ínfima, foi banida dessa mente anômala que busca apenas sua auto realização, essa que não é fruto de produto material algum, é algo mais profundo, umbrático. Ao lado da sombra eis que surge a fumaça, com sua forma sutil se envolvendo aos poucos, antes amorfa, passa a se transformar.

Primeiro surge a caveira, o verme fica assustado, pois a caveira não é digna de boa recordação, logo após transforma-se em uma rosa, o verme fica reflexivo, estende sua mão, mas quando segura esta é machucado, em seu talo há um grande espinho, o verme passa a sangrar, o sangue não é mais vermelho, é preto, logo o verme cerca-se de seu próprio ódio, assim decide ficar.

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