Com esse “vago” e breve
questionamento inicio o presente texto tentado buscar uma reflexão. De forma
alguma o propósito do pensamento que aqui transcrevo é definir o que é o amor e o seu significado pessoal, mas sim buscar
uma compreensão e uma abordagem diferenciada baseada em problemas
contemporâneos, usando uma linguagem alegórica que abarque essa palavra
multifacetada.
Comumente a palavra amor é capaz
de remeter o nosso pensar para um ente (Ser ou Coisa) e especialmente que
exista, como por exemplo uma pessoa. É de forma ordinária que se escute por aí frases
como “Ah! O meu amor da minha vida”, “Como eu amo isso! ”ou “Fulano (a) é – ou foi
– o grande amor”, entretanto é fácil se deixar levar por essa capacidade humana
de transferir o abstrato para algo material, materializando um objeto criado
(por exemplo a Arte é algo abstrato, o quadro pintado é a transferência do
abstrato para o material).
Digo e ressalvo a questão do
objeto no sentido material que adquire, no caso o amor é transferido e
materializado em uma pessoa ou coisa (objetos). Esse processo de transferência
cria uma relação única e pessoal, de tal forma que sua aplicação não se destina
tão somente para outros indivíduos, mas também para coisas abstratas as quais
passam por um processo de transformação (materializam-se) para que a relação
estabelecida possa ser palpável, sentida e consumida.
O parágrafo acima busca tratar
com exemplos simples e uma explicação resumida o que deverá ser abordado com
uma análise de cunho sócio-emocional. Devo
ressaltar que as impressões aqui registradas foram estabelecidas por meio de
indagações de cunho observacional e pessoais. Incialmente vou abordar um
problema em questão que ultimamente vêm tomando várias conjecturas por parte de
pensamentos latentes.
Um dos grandes problemas verificados
destina-se a uma dificuldade inerente e presente nas relações sociais
vivenciadas hodiernamente; tais problemas se apresentam pela contrariedade na
interação humana com outrem decorrente da grande revolução tecnológica
globalizada que se encontra em desenvolvimento. O sentimento que é causado por
essa crise social coloca o ser humano em uma situação dicotômica. Ao mesmo
tempo que os avanços tecnológicos como a Internet
é capaz de criar uma rede de conexões globais, o lado narcisista retratado em
diversas redes sociais (Instagram; Facebook) demonstra uma extrema carência
afetiva – amorosa talvez? – e social, assim como necessidade desesperadora pela
atenção. Curiosamente, essa atenção que é buscada de forma incessante e
dinâmica é de maneira efêmera e facilmente apaziguada com “compartilhamentos” e
“curtidas”. E aonde entra a questão do amor nisso tudo? – O leitor pode se
perguntar nesse momento
Por qualquer dicionário a ser
consultado é possível constatar que a palavra amor em sua definição linguística expressa uma relação diversificada
com algo com quem determinado indivíduo direciona e materializa sua relação
amorosa, minha crítica se pauta que nos hábitos contemporâneos essa relação
esteja se desestabilizando e sua transferência torna-se um moto-contínuo, ou seja, transfere-se o amor para si mesmo quase, de
maneira autônoma e segura. As complicações pelas relações de desumanidade – vou
me apropriar do neologismo – (desumanidade no sentido de um afastamento entre
um ser e outro por intermédio da tecnologia) mostram que os significados correlacionados
à palavra amor passam por uma mudança drástica, de maneira que uma relação
altruísta intrínseca desta palavra acaba sendo subvertida para um egoísmo
infantil.
É possível entender que o significado da palavra amor passe por uma
reestruturação e que seus significados se adequem à uma nova realidade, todavia
o significado que ela demonstra ter reflete diretamente nos problemas patentes
em uma sociedade dominada pelo uso desgovernado e imaturo da tecnologia. Tais
problemas podem ser identificados como a desumanização, falta de capacidade em
lidar com questões emocionais, narcisismo – que é tão fácil de ser verificado –
entre outros; não obstante o culto fanático em relação à “juventude eterna” determinado
por padrões instaurados na sociedade por intermédio do sistema capitalista
demonstram que o amor se tornou uma palavra ambígua, difícil de ser entendida e
quem sabe talvez até sem significado. Buscar e compreender o amor em sua
pluralidade é um grande dilema que demanda um olhar crítico direcionado para
si, assim visando seu processo de transferência de maneira ampla para que se
possa entender seus significados.

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