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Uma Pequena Reflexão

Uma Pequena Reflexão

Nesses dias que se passaram tenho acordado cedo, vejo o sol nascer e o crepúsculo da madrugada aos poucos desvaecer cedendo sua remansosa atmosfera para o luzido céu que se abre. Como de costume espero o café ficar pronto, vou até o quintal e acendo um cigarro. Nesse ritual matutino que realizo em tais dias, começo a caminhar a passos breves, de um lado para o outro, vagarosamente.

Olhando atentamente para uma “trilha” de formigas que andam ativas pela parede do meu quintal, seguindo suas atividades instintivas e coletivas, eu me agachei por um momento e percebi algo. Com o cigarro em meus lábios enquanto eu olhava diretamente para o trajeto desses operosos e pequeninos seres, eu observava seis formigas carregando parte do abdômen de uma abelha, as formigas mantinham um sincronismo, de tal forma que poderia até traçar um polígono pela sua organização. A subida íngreme que elas precisavam atravessar – afinal, a parede é totalmente reta, não é mesmo? – mostrava a determinação para enfrentar o laborioso fardo de carregar o alimento até a fenda provocada pelas rachaduras instauradas na parede.

Dei uma tragada no cigarro que já estava por acabar, e baforei em direção à elas, que com a rajada de fumaça se dispersaram de forma caótica, no entanto, uma cena me chamou a atenção. Uma formiga somente, carregando algo muito maior do que ela ainda mantinha arduamente em suas mandíbulas poderosas o abdômen da abelha, enquanto que o peso era desproporcional e a gravidade cumpria seu papel, fazendo com que essa solitária remanescente começasse a descer incontrolavelmente.

Aqui está o ponto mais interessante dessa observação...

Alguns segundos depois as outras formigas de se grupo que havia se dispersado retornam uma de cada vez e começam a ajuda-la novamente com a tarefa, sem abandoná-la, sozinha com o seu fardo. Curioso como seres tão pequenos conseguem ser tão cooperativos, de buscar um bem maior, de tal forma que o individualismo parece não existir em um formigueiro inteiro, ao contrário do que parece se manifestar cada vez mais nesse “formigueiro” humano em que vivemos.

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