REFLEXÕES DA MADRUGADA #1
A Tempestade
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| "In The Storm Painting by Dorothy Maier" |
A raiva e inquietação que se consomem durante a juventude são impetuosas, difíceis de serem resguardadas dentro de si, agitadas e turbulentas como o mar durante tempestade. O seu barco que se depara com tal intempérie, é levado – mesmo que contra sua vontade – ao oscilar tempestuoso das ondas que diante do céu plúmbeo estremecem e anunciam o fim trágico submergido.
O desespero que toma conta de você carregado pelo prelúdio orquestrado por um compasso infindo de tormentas infinitas além-mar; obscurecido o horizonte se apresenta pela névoa cinzenta que circunde todo seu campo de visão, o fulgor pelos raios da tempestade cintilam em seus olhos trazendo memórias e flashbacks, deixando assim o desalento permear seu barco trazendo até você o encontro fúnebre com Poseidon.
O fim é certo...! sôfrego você se encontra querendo o único prazer possível, viver... concretizar seus sonhos e ambições mediante o seu ápice existencial, uma linha tênue entre existir e deixar-de-existir...
Diante do cataclismo iminente sua existência é miserável perante aquilo que consegue observar, verme (assim é) e incapaz, você percebe a sua fraqueza e fragilidade perante uma força natural capaz de subjuga-lo no seu momento de maior efusão, abatido pela pujança e magnitude das águas, o peito aberto e o sonho de conquistar o mundo parecem destruídos pela rebentação.
(...). Você está destruído(...)
Contudo, você sobrevive...
Enfim após a cólera insurgente que ocasionou destruição surge um recomeço. Teus olhos são abrasados pelo fulgor dos raios de sol que perfuram as nuvens gris restantes, um breve sorriso emana de uma feição lúgubre...
“Escapei de Poseidon, por fim encontro Apolo”.
A esperança surge, mesmo depois da mais terrível borrasca que anteriormente decidiu condená-lo à danação. A clareza resplandece em teu peito, alma e mente. Finalmente você entende que a tempestade fazia parte do seu percurso e era necessário enfrenta-la.

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